Jó 34 e Daniel 4
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Jó 34
- 1
Eliú respondeu mais, dizendo:
- 2
Ouvi, vós sábios, minhas palavras; e vós, inteligentes, dai-me ouvidos.
- 3
Porque o ouvido prova as palavras, assim como o paladar experimenta a comida.
- 4
Escolhamos para nós o que é correto, [e] conheçamos entre nós o que é bom.
- 5
Pois Jó disse: Eu sou justo, e Deus tem me tirado meu direito.
- 6
Por acaso devo eu mentir quanto ao meu direito? Minha ferida é dolorosa mesmo que eu não tenha transgressão.
- 7
Que homem há como Jó, que bebe o escárnio como água?
- 8
E que caminha na companhia dos que praticam maldade, e anda com homens perversos?
- 9
Porque disse: De nada aproveita ao homem agradar-se em Deus.
- 10
Portanto vós, homens de bom-senso, escutai-me; longe de Deus esteja a maldade, e do Todo- Poderoso a perversidade!
- 11
Porque ele paga ao ser humano [conforme] sua obra, e faz a cada um conforme o seu caminho.
- 12
Certamente Deus não faz injustiça, e o Todo-Poderoso não perverte o direito.
- 13
Quem o pôs para administrar a terra? E quem dispôs a todo o mundo?
- 14
Se ele tomasse a decisão, e recolhesse para si seu espírito e seu fôlego,
- 15
Toda carne juntamente expiraria, e o ser humano se tornaria em pó.
- 16
Se pois há [em ti] entendimento, ouve isto: dá ouvidos ao som de minhas palavras.
- 17
Por acaso quem odeia a justiça poderá governar? E condenarás tu ao Poderoso Justo?
- 18
Pode, por acaso, o rei ser chamado de vil, [e] os príncipes de perversos?
- 19
[Quanto menos] a aquele que não faz acepção de pessoas de príncipes, nem valoriza mais o rico que o pobre! Pois todos são obras de suas mãos.
- 20
Em um momento morrem; e à meia noite os povos são sacudidos, e passam; e o poderoso será tomado sem ação humana.
- 21
Porque seus olhos estão sobre os caminhos do homem, e ele vê todos os seus passos.
- 22
Não há trevas nem sombra de morte em que os que praticam maldade possam se esconder.
- 23
Pois ele não precisa observar tanto ao homem para que este possa entrar em juízo com Deus.
- 24
Ele quebranta aos fortes sem [precisar de] investigação, e põe outros em seu lugar.
- 25
Visto que ele conhece suas obras, de noite os trastorna, e ficam destroçados.
- 26
Ele os espanca à vista pública por serem maus.
- 27
Pois eles se desviaram de segui-lo, e não deram atenção a nenhum de seus caminhos.
- 28
Assim fizeram com que viesse a ele o clamor do pobre, e ele ouvisse o clamor dos aflitos.
- 29
E se ele ficar quieto, quem [o] condenará? Se ele esconder o rosto, quem o olhará? [Ele está] quer sobre um povo, quer sobre um único ser humano,
- 30
Para que a pessoa hipócrita não reine, [e] não haja ciladas ao povo.
- 31
Por que [não tão somente] se diz: Suportei [teu castigo] não farei mais o que é errado;
- 32
Ensina-me o que não vejo; se fiz alguma maldade, nunca mais a farei?
- 33
Será a recompensa da parte dele como tu queres, para que a recuses? És tu que escolhes, e não eu; o que tu sabes, fala.
- 34
As pessoas de entendimento dirão comigo, e o homem sábio me ouvirá;
- 35
Jó não fala com conhecimento, e a suas palavras falta prudência.
- 36
Queria eu que Jó fosse provado até o fim, por causa de suas respostas comparáveis a de homens malignos.
- 37
Pois ao seu pecado ele acrescentou rebeldia; ele bate as mãos [de forma desrespeitosa] entre nós, e multiplica suas palavras contra Deus.
Daniel 4
- 1
O rei Nabucodonosor, a todos os povos, nações, e línguas, que moram em toda a terra: paz vos seja multiplicada;
- 2
Pareceu-me bem fazer conhecidos os sinais e maravilhas que o Deus altíssimo fez comigo.
- 3
Como são grandes os seus sinais, e como são poderosas as suas maravilhas! O reino dele é um reino eterno, e seu domínio de geração em geração.
- 4
Eu, Nabucodonosor, estava tranquilo em minha casa, e próspero em meu palácio.
- 5
Eu vi um sonho que me espantou; e as imaginações em minha cama e as visões da minha cabeça me perturbaram.
- 6
Por isso eu fiz um decreto para que trouxessem diante de mim todos os sábios da Babilônia, para que me fizessem saber a interpretação do sonho.
- 7
Então vieram magos, astrólogos, caldeus, e adivinhos; e eu disse o sonho diante deles, mas não conseguiram me mostrar sua interpretação.
- 8
Porém por fim veio diante de mim Daniel, cujo nome é Beltessazar, segundo o nome de meu deus; e em [Daniel] há o espírito dos deuses santos. Então eu disse o sonho diante dele:
- 9
Beltessazar, príncipe dos magos, de quem eu sei que há em ti espírito dos deuses santos, e que nenhum mistério é difícil para ti, dize-me as visões de meu sonho que eu vi, e sua interpretação.
- 10
Estas foram as visões de minha cabeça em minha cama: eu estava vendo, e eis uma árvore grande em altura, no meio da terra.
- 11
Esta árvore crescia, e se fortalecia; sua altura chegava até o céu, e podia ser vista até dos confins de toda a terra.
- 12
Sua folhagem era bela, seu fruto abundante, e havia nela alimento para todos. Debaixo dela os animais do campo achavam sombra, em seus ramos as aves do céu faziam morada, e todos os seres se alimentavam dela.
- 13
Eu estava vendo nas visões de minha cabeça em minha cama, e eis que um vigilante e santo descia do céu.
- 14
Ele gritava fortemente e dizia assim: Cortai a árvore, e podai seus ramos; derrubai sua folhagem, e dispersai seu fruto; fujam os animais debaixo dela, e as aves de seus ramos.
- 15
Porém deixai o tronco [com] suas raízes na terra, e com correntes de ferro e de bronze na erva do campo; e seja molhado com o orvalho do céu, e sua parte seja com os animais na grama da terra.
- 16
Seu coração seja mudado, para que não seja coração de homem, e seja-lhe dado um coração de animal; e passem sobre ele sete tempos.
- 17
Esta sentença é por decreto dos vigilantes, esta exigência pela palavra dos santos; para que os viventes saibam que o Altíssimo tem o domínio dos reinos humanos, e ele os dá a quem ele quer, e constitui sobre eles até o mais inferior dos seres humanos.
- 18
Este foi o sonho que eu, o rei Nabucodonosor, vi. Tu, pois, Beltessazar, dize a interpretação, porque todos os sábios do meu reino não puderam me revelar sua interpretação; mas tu podes, porque há em ti o espírito dos deuses santos.
- 19
Então Daniel, cujo nome era Beltessazar, ficou atônito por um certo tempo, e seus pensamentos o espantavam. O rei falou: Beltessazar, não fiques espantado com o sonho nem com sua interpretação. Beltessazar respondeu: Meu senhor, que o sonho seja para os que te odeiam, e sua interpretação para teus inimigos.
- 20
A árvore que viste, que crescera e se fizera forte, cuja altura chegava até o céu, e podia ser vista por toda a terra,
- 21
Cuja folhagem era formosa, seu fruto abundante, e em que havia alimento para todos; debaixo da qual moravam os animais do campo, e em seus ramos habitavam as aves do céu,
- 22
Ela és tu, ó rei, que cresceste, e te fizeste forte; pois tua grandeza cresceu, e chegou até o céu; e teu domínio até o fim da terra.
- 23
E quanto ao que o rei viu, um vigilante e santo que descia do céu, e dizia: Cortai a árvore e destruí-a; mas o tronco [com] suas raízes deixai na terra, com correntes de ferro e de bronze na erva do campo; e seja molhado do orvalho do céu, e sua parte seja com os animais do campo, até que passem sobre ele sete tempos,
- 24
Esta é a interpretação, ó rei; esta é a sentença do Altíssimo, que virá sobre o rei, meu senhor:
- 25
Expulsar-te-ão dentre os homens, e tua morada será com os animais do campo; serás alimentado com erva como aos bois, e serás molhado com orvalho do céu; e sete tempos passarão sobre ti, até que entendas que o Altíssimo tem o domínio sobre os reinos humanos, e ele os dá a quem ele quer.
- 26
E quanto ao que foi dito, que deixassem o tronco [com] das raízes da árvore, significa que teu reino se te será restabelecido, depois que tiveres entendido que o céu reina.
- 27
Portanto, ó rei, aceita meu conselho, e desfaze teus pecados por meio da justiça, e tuas maldades por meio da misericórdia para com os pobres; para que talvez haja uma prolongamento de tua paz.
- 28
Tudo isso veio sobre o rei Nabucodonosor;
- 29
[Pois] ao fim de doze meses, enquanto passeava sobre o palácio real da Babilônia,
- 30
O rei falou: Não é esta a grande Babilônia, que eu edifiquei para ser a capital do reino, com a força de meu poder, e para a glória de minha majestade?
- 31
Enquanto a palavra ainda estava na boca do rei, uma voz caiu do céu: A ti se diz, ó rei Nabucodonosor: perdeste o teu reino,
- 32
E te expulsarão dentre os homens. Tua morada será com os animais do campo, e com erva serás alimentado, como os bois; e sete tempos passarão sobre ti, até que entendas que o Altíssimo tem o domínio dos reinos dos homens, e ele os dá a quem ele quer.
- 33
Na mesma hora a palavra se cumpriu sobre Nabucodonosor, e foi lançado dentre os homens. Ele passou a comer erva como os bois, e seu corpo foi molhado com o orvalho do céu, até que seu pelo cresceu como [as penas] da águia, e suas unhas como [as garras] das aves.
- 34
Mas ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor levantei meus olhos ao céu, e meu entendimento voltou a mim; então eu bendisse ao Altíssimo, e louvei e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é eterno, e seu reino de geração em geração.
- 35
E todos os moradores da terra são contados como nada; e ele faz no exército do céu, e nos habitantes da terra segundo sua vontade; ninguém há que possa deter sua mão, e lhe dizer: Que fazes?
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- 36
No mesmo tempo meu entendimento voltou a mim, e a dignidade do meu reino, minha majestade e meu resplendor voltaram a mim; e meus conselheiros e meus grandes me buscaram; e eu fui restabelecido em meu reino, e maior glória me foi acrescentada.
- 37
Agora eu, Nabucodonosor louvo, exalto e glorifico ao Rei do céu, porque todas as suas obras são verdade, e seus caminhos juízo; e ele pode humilhar aos que andam com arrogância.
Ligações: OpenBible.info (votos somam as duas direções; um trecho conta pelo primeiro versículo). Texto: Bíblia Livre (BLIVRE).